Ghost

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- Você já parou pra pensar no que faz comigo?
- Não faço nada demais.
- Você é grosso, ignorante e estúpido. Precisa mesmo disso? - a voz dela já demonstrava o choro vindo.
- Ah, não começa a chorar não. Não me estressa.
- É claro, claro, te estresso, só sei fazer isso.
- Pois é, odeio que fiquem falando merda pra mim.
- Você é sempre o certo né? E eu to aqui ainda, que nem burra te implorando pra não me tratar mal.
- Sempre fui assim, se acostume.
- Não, não foi, ontem você tava ótimo comigo, você me trata bem, só é um idiota quando quer. Você não tem idade pra ficar fazendo isso. Para, olha pra mim caramba, eu te amo.
- Tá me chamando de moleque?
- Diz que me ama?
- Não quero. Sou moleque, tchau.
- ENTÃO TÁ, TCHAU.
- Não me ligue, vou sair.
Meia hora depois o telefone dela toca.
- Alô?
- Ei?
- Ah, oi?
- Eu te amo, você me desculpa? Eu te amo.
- Eu também te amo. - os dois suspiram.
- Eu te amo muito, muito, muito. Por favor, me desculpa.
- Porque ta falando isso?
- Porque sou burro, babaca, me arrependi, não posso?
- Tudo bem, tá tudo bem, sempre está.
- Eu te amo muito. Desculpa.
- Eu te amo. - ela suspira e as lágrimas caem de seus olhos. Ela sempre o desculpava, mas por mais que ela implorasse a ele, aquilo sempre se repetiria. No entanto, ela o amava demais para tentar desistir, e mesmo se tentasse sabia que não iria conseguir.
- Eu te amo mais. - ele suspirou do outro lado da linha, não se sabia se ele havia chorado, ou se doía, mas de fato, acho que doía nele machuca-la, mesmo não sendo de propósito. Mas nunca me perguntei se no fundo ele queria parar de fazer isso com ela, será que queria? Será que a dor que ele causava nela, fazia-o ficar com raiva de si mesmo?
- Tchau. - ela disse com uma vontade imensa de chorar. Sua vontade de implorar pra ele não machuca-la mais era maior, mas ela sabia que não adiantava pedir, pelo menos não pra ele. No entanto, pedia pra Deus todos os dias para que ele a desse valor.
- Desculpa novamente, eu te amo muito. Tchau. - ele desligou. Sem saber, ela do outro lado da linha olhava no visor do celular, e deixava que as lágrimas caíssem, e enquanto pedia para Deus fazer com que ele a tratasse bem e desse valor a tanto amor, O agradecia por ele ter se arrependido, mais uma vez, porque ele sabe que ela o amava, e ela também sabe que ele a amava. Mas as vezes, sua grosseria, a causava muita dor.
Ela não quer partir, não quer sair de perto dele, e nem deixa-lo porque, apesar de tudo o que já passaram, já sofreram, apesar de tudo o que ele já havia feito, ele era o Anjo dela. E mesmo que doesse, ela sabia que ele não fazia por mal, e continuava assim, todos os dias, a pedir pra Deus que ele mudasse, só nisso, apenas nisso, porque ela queria viver em paz com ele. E sentindo todo amor pela qual ele sentia por ela, porém, não demonstrava.

E penso e repenso e trepenso em você.

Ela espalhava esperança, como as nuvens espalham a chuva.

Eu ando tomando o rumo certo agora. Me deseje sorte.

Mas, era como se eu gostasse mesmo de me iludir, no fundo me fazia bem pensar que tudo poderia ser para sempre…

Estou vivendo uma daquelas fases sufocantes em que temos milhares de coisas para dizer mas não encontramos as palavras certas para fazê-lo.

Esperar dói. Esquecer dói. Mas não saber se deve esperar ou esquecer é a pior das dores.

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